25 novembro 2005

"SE" - Rudyard Kipling

" SE"

Rudyard Kipling
Tradução de Guilherme de Almeida

Se és capaz de manter a calma, quando
Todo mundo já a perdeu e te culpa
De crer em ti quando estão todos duvidando
E para esses, no entanto, achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar, sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires;
De sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores;
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires
Tratar da mesma forma esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, porque deste a vida, estraçalhadas,
E refaze-las com o bem pouco que te reste.

Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo o que ganhaste em toda a tua vida,
E perder, e ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
Se és capaz de forçar coração, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta vontade em ti, que ainda ordena: resiste!

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes;
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes;
Se a todos podes ser de alguma utilidade;
E se és capaz de dar, segundo por segundo.
Ao minuto fatal todo o valor e brilho:
Tua é a Terra com tudo que existe no mundo,
E - o que ainda é muito mais - és um HOMEM, meu filho!