18 abril 2006

RESPOSTA AO TEMPO
(Cristovão Bastos/ Aldir Blanc)
Nana Caymmi

Batidas na porta da frente, é o tempo
Eu bebo um pouquinho pra ter argumento
Mas fico sem jeito, calado, ele ri
Ele zomba do quanto eu chorei
Porque sabe passar e eu não sei

Um dia azul de verão, sinto o vento
Há folhas no meu coração, é o tempo

Recordo um amor que perdi, ele ri
Diz que somos iguais, seu eu notei
Pois não sabe ficar e eu também não sei

E gira em volta de mim,
sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro
sozinhos

Respondo que ele aprisiona, eu liberto
Que ele adormece as paixões, eu desperto

E o tempo se rói com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor pra tentar reviver

No fundo é uma eterna criança que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder me esquecer

No fundo é uma eterna criança que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder me esquecer