18 maio 2006

SERAFIM E SEUS FILHOS

Ruy Maurity

São três machos e uma fêmea, por sinal Maria
Que com todas se parecia
Todos de olhar esperto, para ver bem perto
Quem de muito longe é que vinha
Filhos de dois juramentos, todos dois sangrentos
Em noite clarinha, eia-ô
O João Quebra-Toco, Mané-Quindim, Lourenço e Maria .


Noite alta de silêncio e Lua, Serafim,
O bom pastor de casa saía
Dos quatro meninos, dois levavam rifle
E os outros dois levavam fumo e farinha
Bandoleros de los campos verdes, Don Quijotes
De nuestro desierto, eia-ô
Mané, João, Lourenço e Maria . . .

Mas o tal Lourenço, dos quatro o mais novo
Era quem dos quatro tudo sabia
Resolveu deixar o bando e partir pra longe
Onde ninguém lhe conhecia
Serafim jurou vingança,
Filho meu não dança conforme a dança, eia-ô
E mataram o Lourenço em noite alta de lua mansa . . .

Todo mundo dessas redondezas
Conta que o tal Lourenço não deu sossego
Fez cair na vida sua irmã Maria
E os outros dois matou só de medo
Serafim depois que viu o filho lobisomem
Perdeu o juízo, eia-ô
E morreu sete vezes
Até abrir caminho pro paraíso . . .