20 maio 2006

IMPROCEDENTE

Márcia Maia

Quase só nesta sexta de manhã
Busco abrigo entre as rimas do soneto
Apesar de saber-me aqui perdida
Qual romã a pender de abacateiro

Meio-morta e cansada do afã
De uma noite em plantão inda cometo
Um pecado ao tentar driblar a vida
Procurando uma agulha no palheiro

Que seria uma rima bela e rara
Pra rimar desencanto e solidão
Com amor essa coisa evanescente

Que atormenta e vicia feito tara
Que se tem mas se nega sempre em vão
: onde jaz essa rima improcedente?

Sexta-feira, Maio 19, 2006